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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Relato de parto - Uma cesárea traumática.

Quem me acompanha desde o começo sabe que eu sou fãzona do parto normal. Eu me preparei anos e anos para isso. Eu estudei, eu procurei um médico humanizado, eu tinha uma doula.
O que eu não tinha era controle, e o desenrolar da história veio para me provar isso: A vida não se controla.

Quando descobri a Atresia de Duodeno, eu já desconfiava que meu sonhado parto natural não aconteceria, mas sempre há uma pontinha de esperança. E eu me agarrei à ela.

Mas a realidade bateu à porta e, ao ter o diagnóstico do Marcelo, procurei a opinião de alguns cirurgiões pediátricos e todos me indicaram o hospital Santa Joana. Nacionalmente conhecido como campeão das cesáreas, ele não fazia parte da lista de hospitais que eu havia cogitado para ter meus filhos. Conversei com meu obstetra Dr. Braulio Zorzella, e ele me disse que não atendia no Santa Joana. Eu via minhas chances se esvaindo... a cada dia um empecilho. 

Bom, era dia 5 de Janeiro, eu estava enorme, cansada. Tomava diariamente minhas injeções de anticoagulante, estava já sem posição e o polidrâmnio havia voltado após apenas 2 semanas da última amniorredução. Eu já cogitava fazer uma segunda, estava determinada a levar a gestação até as 38 semanas, pelo menos.
Fui ao posto de saúde buscar uma receita para pegar o Clexane na rede pública. Voltei para casa, almocei e me deitei para uma soneca da tarde. Senti algo molhado na calcinha. Fui ao banheiro e estava levemente molhada, achei estranho, coloquei um absorvente diário e resolvi aguardar. 5 minutos depois estava encharcado. Mostrei para minha mãe, chamei um táxi e fui para o Santa Joana, achei que era hora.

A bolsa estourou e eu estava com 31 semanas. Putz! E agora. Liguei para meu obstetra anterior, Dr. Nisida. Me internaram, óbvio, mas como não haviam contrações, a conduta foi esperar. Sim é possível esperar com bolsa rota. Eu fiquei internada por 3 semanas. Com 3 dias o líquido havia parado de vazar, e a bolsa encheu novamente. Teve até polidrâmnio de novo. Depois de 7 dias, vazava lentamente, mas eu bebia muita água, e isso ajudava a manter meu menino dentro d'água. 
Quando completei 34 semanas, meu médico sugeriu agendarmos a cesária. Disse que a partir desse momento o risco de infecção (que sempre existiu, por isso a internação) era maior do que o risco deles nascerem muito prematuros. Eu disse não. Isso era uma sexta-feira. No sábado comecei a sentir contrações pela manhã. Aguardei e não chamei o médico, e perto do meio-dia, haviam cessado. No domingo a mesma coisa, começou e parou. Na segunda-feira, de novo, de tarde haviam cessado. 

Na segunda-feira à noite, eu me sentia estranha... pedi para a enfermeira rodar um cardio-toco antes de eu aplicar o Clexane (a cesária precisaria de 12 horas para ser feita após o uso do anticoagulante) Ela assim fez, e nada... nada de contrações. Apliquei a medicação... só que então... 3 horas depois eu acordo com contrações. UMA ATRÁS DA OUTRA. Rodaram o cardio-toco, e tava lá... ritmadinho. Logo veio a médica do plantão me avisando que ela "terminariam a gestação ali". Sem mais, sem menos. Era o Santa Joana lembra, padrão em humanização, sqn. :(

Eram 3 horas da manhã. Pedi que ligasse para meu obstetra, (a essa altura eu já consultava dois obstetras, o humanizado e o regular, não deixei a humanização porque eu ainda acreditava no Parto Natural). Ligaram para o Dr. Nisida. Ele pediu para me encaminharem para o centro cirúrgico. Ele não quis arriscar o parto normal, mas para piorar tudo, tinha mais um problema... eu havia tomado Clexane a menos de 12 horas, e você sabe o que isso queria dizer? Anestesia Geral.  Gelei. Eu não veria meus filhos nascerem. O médico fez uma pressão, botou um medinho de leve, disse que se esperássemos poderia ser tarde demais, as contrações poderiam ritmar e a cesárea poderia não ser mais uma opção... eu não tinha dilatação, eu queria esperar, mas tinha medo. Na hora pareceu a coisa certa a fazer... minha doula havia viajado de férias...

Me apagaram no centro cirúrgico.

Eles nasceram.
Eu não vi.

Quando acordei sentia dores horríveis. Muita dor. Mas e meus filhos? O que aconteceu? Meu marido me mostrou essas fotos:

Melissa

Marcelo
E foi assim que conheci meus filhos.

Continua...







quarta-feira, 20 de abril de 2016

Eles Nasceram!

Em Janeiro. Dia 26. Com 34 semanas de gestação. 

Minha bolsa estourou com 31 semanas de gestação devido ao Polidrâmnio causado por um problema no sistema digestivo do Marcelo. Fiquei internada na Semi-Intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana por 3 semanas até que entrei em trabalho de parto e não teve mais volta. Eles nasceram de cesária, píticos. Marcelo com 1,995kg e Melissa com 2,095Kg. Passaram 23 e 10 dias respectivamente na UTI e hoje estão super bem. 
Darei maiores detalhes em posts separados. 

Não foi fácil, foi traumatizante. O Parto, o pós-parto, a gestação em si.

Mas deu certo.

Não desista.
Melissa e sua primeira roupinha!

Marcelo e sua primeira roupinha.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Mais uma caminhada, desviando de cada pedra.

...Continuando.

Sim. Mais um Positivo! Felizes? Não. Estávamos amedrontados, receosos, apreensivos. Mas renovados em esperanças. 

Com 5, 6 semanas percebi um leve sangramento a tarde. A noite havia aumentado e no meio da noite estava vermelho vivo.  Fomos correndo ao hospital de madrugada. Examinaram e encaminharam para o ultrassom. Fizemos promessas. Rezamos.

E essa foi a imagem que vimos:


Dois Bebês. Dois sacos gestacionais. Nós dois em choque. Deus é maravilhoso. Ele nos reservou algo ainda maior. 
Obrigada meu Deus. Essa era a chance que vinhamos esperando esse tempo todo. Saímos as 5 da manhã do hospital, com o diagnóstico de um pequeno descolamento, nada grave. Repouso e um coração que lutava, rezava e se energizava. Uma gestação natural gemelar. É um sonho sendo realizado em dobro. Era o que eu precisava para recobrar a minha fé.  

Deus é maravilhoso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

4º Positivo. - Nunca desista.

...Continuando
Dr. Arnaldo pediu então que eu voltasse assim que eu menstruasse para começar o tratamento para FIV. Como eu já tinha muitos exames, inclusive os "pré-nupciais" que são obrigatórios não havia porque esperar mais. 

E assim foi. Esperei. Esperei. Esperei. E parecia um filme se repetindo... 

Não veio. POSITIVO. Eu estava grávida pela 4ª vez. Eu sou fértil. Era Deus me mostrando pela 4ª vez que eu não precisava da FIV.

Voltamos ao IPGO com a notícia e desesperados querendo uma orientação para que dessa vez desse tudo certo.
Ele nos orientou, prescreveu vitaminas, Enoxoparina, Progesterona. Estávamos em êxtase, mas extremamente fragilizados.

Era final de Junho eu acabava de entrar de férias, me descobri grávida pela manhã do Domingo e de tarde tomei um tombo no box, lesionei gravemente o tendão do joelho. teria que ficar mais de 2 meses imóvel. Meu apartamento estrava em reforma. Uma explosão de acontecimentos ao mesmo tempo.

Mas quem se importa? Mais um bebê, mais uma chance!

Tenha Fé.


...continua

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A nova clinica. IPGO

Após a tempestade vem a bonança.

Este ano estávamos decididos a fazer tudo que estava ao nosso alcance para ter nosso bebê. Então logo após a perda do nosso 3º bebe resolvemos procurar outra clinica. Eu sabia que algo mais deveria ser feito. 
Alguns amigos do marido haviam se consultado com o Dr. Arnaldo do IPGO e eu já conhecia outra blogueira (a Renatita) que também havia tido seus meninos com a ajuda do Arnaldo. Resolvi acreditar. Ele é meio afobado, fala bastante, (nem sempre do seu caso, mas de vinhos e fatos da vida), o consultório é cheio e  a agenda corrida. Tem sempre muita gente por lá e a filosofia dele é dispor de todos os artifícios possível e cobrir todas as possíveis falhas para que dê certo. Ele meio que aplica o tratamento padrão para todo mundo, visando uma melhor eficiência. Devo dizer que ele não era meu favorito, mas estávamos decididos a tentar tudo. 
No ponto de vista do Arnaldo, mesmo que meus exames não fosse 100% diagnósticos de trombofilia, deveríamos tratar como se fosse (passei num hematologista e ele disse que eu não era trombofílica, que não haviam sintomas e exames conclusivos) e disse que usaríamos sim a Enoxaparina Sódica. 
Aguardaríamos o próximo ciclo e começaríamos a FIV. 
Algumas pessoas me questionam porque eu escolheria a FIV se na verdade eu não tenho problemas em conceber e sim em manter a gestação. Fato é, demorou 1 ano e meio para a primeira gestação, 2 meses para a segunda e mais 1 ano para a terceira, eu não estava disposta a esperar mais, eu queria resolver esse problema já.  Eu queria meu bebê. 

...continua.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O que as pessoas que sofrem de infertilidade querem que você saiba.

O GAPENDI  Grupo de Apoio a mulher com endometriose fez uma lista com 27 coisas que não se diz à alguém que sofra de infertilidade.
Eu ouvi muitas dessas coisas. Muitas. E ouvi coisas piores de gente muito próxima. Gente que na hora da raiva deixou escapar coisas que me feriram para sempre. 
Segue então a lista, se vc conhece alguém que passa por isso, muita cautela com o que diz. Se você está passando por isso a pouco tempo, respeite quem ha muito atravessa esse caminho árduo.